A previsão de receita de 500 bilhões é muito conservadora! CFO da Nvidia afirma que "definitivamente será maior", e Jensen Huang diz que a demanda dos clientes chineses é forte.
Os executivos da Nvidia continuam emitindo sinais otimistas, confiantes nas perspectivas de vendas dos chips Blackwell e da próxima geração Rubin.
No dia 6, terça-feira, no horário do leste dos EUA, a diretora financeira da Nvidia, Colette Kress, afirmou em um evento organizado pelo JP Morgan que, devido à forte demanda, a Nvidia está ainda mais otimista com o negócio de data centers e que, até o final de 2026, a receita prevista para os chips de data center da Nvidia "definitivamente" ultrapassará a previsão de US$ 500 bilhões apresentada em outubro passado.
O valor de US$ 500 bilhões mencionado por Kress refere-se ao que Jensen Huang declarou há pouco mais de dois meses na conferência GTC: até o final de 2026, os chips de data center atuais e futuros da Nvidia trarão cerca de US$ 500 bilhões em receita. No final de outubro, o Goldman Sachs apontou que essa previsão era cerca de 12% superior ao consenso de mercado na época.
A declaração de Kress manteve o otimismo do CEO Jensen Huang em seu discurso na CES (Consumer Electronics Show) desta segunda-feira. Na segunda, a Nvidia anunciou oficialmente o lançamento do chip Rubin. Durante a palestra principal de Huang na CES, ele revelou que a nova plataforma Vera Rubin já está em plena produção, com o custo de inferência reduzido para um décimo do da plataforma Blackwell.
Huang também enfatizou, em entrevista à mídia na terça-feira, que o desempenho dos novos chips da Nvidia é dez vezes superior ao da geração anterior e afirmou que a demanda dos clientes chineses é forte.
Apesar dos sinais positivos de Kress e Huang, as ações da Nvidia não conseguiram reverter a tendência de queda. Após subirem mais de 2% no início do pregão de terça-feira, as ações recuaram, viraram para queda no meio do dia e fecharam em baixa de quase 0,5%, acumulando dois dias consecutivos de queda. Em 2025, as ações da Nvidia acumularam alta de cerca de 39%; embora ainda sejam um dos principais motores da alta do mercado de ações americano, o crescimento ficou muito aquém do aumento de mais de 170% em 2024, impactado principalmente pelas preocupações com a bolha de IA e pela concorrência do Google TPU.
Expectativas de receita continuam sendo ajustadas para cima
Kress deixou claro em seu discurso de terça-feira que, desde a previsão de US$ 500 bilhões apresentada em outubro de 2025, o interesse dos clientes da Nvidia só aumentou. Ao falar sobre as expectativas de receita dos chips de data center, ela disse: "Esse número de US$ 500 bilhões (a previsão) com certeza ainda vai aumentar".
Kress destacou que as expectativas otimistas da Nvidia para aplicações de IA vêm não apenas da demanda por IA, mas também do aumento das necessidades de processamento de dados das empresas, o que impulsionará os investimentos totais para trilhões de dólares até o final de 2030.
Essa declaração ecoa a previsão de Jensen Huang na conferência GTC de 28 de outubro de 2025. Na ocasião, Huang revelou que a empresa tem "visibilidade" para alcançar US$ 500 bilhões em receita acumulada de data centers entre 2025 e 2026, incluindo produtos das arquiteturas Blackwell e Rubin. Segundo análise do Goldman Sachs, essa meta é 12% superior ao consenso do mercado refletido pelo Visible Alpha Consensus Data, de US$ 447 bilhões, e 10% acima da própria previsão do Goldman Sachs, de US$ 453 bilhões.
No início de dezembro de 2025, Kress declarou que o valor de US$ 500 bilhões em reservas não inclui nenhum trabalho em andamento da Nvidia no próximo estágio do acordo com a OpenAI, e revelou que o acordo de investimento de US$ 100 bilhões anteriormente anunciado entre as empresas ainda não foi finalizado. Ela afirmou, na ocasião, que a empresa "definitivamente tem chance de obter mais pedidos além dos US$ 500 bilhões anunciados".
No evento de terça-feira, Kress foi questionada sobre o possível papel do mercado chinês na receita da Nvidia. Kress disse que o governo dos EUA está trabalhando para aprovar pedidos de licença e que a Nvidia já recebeu pedidos de clientes, mas ainda não está claro qual será o resultado específico.
Plataforma Rubin em plena produção
Jensen Huang anunciou na segunda-feira, na CES em Las Vegas, que a nova plataforma de IA Vera Rubin está em plena produção. Ele afirmou que, por meio do design integrado de seis novos chips, a plataforma alcançou grandes avanços em custo de inferência e eficiência de treinamento, com as primeiras entregas aos clientes previstas para o segundo semestre de 2026.
Huang descreveu a GPU Rubin como "uma fera gigantesca" e detalhou a lógica de design: "O custo de inferência da IA precisa cair 10 vezes a cada ano, enquanto a quantidade de tokens gerados pelo 'pensamento' da IA cresce 5 vezes anualmente." Ele enfatizou que esse salto de desempenho além das expectativas da Lei de Moore vem de um "design de colaboração extrema" — uma reconstrução completa que abrange CPU, GPU, chips de rede e sistemas de refrigeração.
Segundo informações, a GPU Rubin atinge desempenho de 50 PFLOPS em inferência de precisão NVFP4, cinco vezes o da Blackwell; desempenho de treinamento de 35 PFLOPS, 3,5 vezes maior que a geração anterior. O custo de geração de tokens em inferência pode cair até um décimo do valor da plataforma Blackwell. Cada GPU inclui 8 conjuntos de memória HBM4, com largura de banda de até 22 TB/s. A próxima geração de superfábricas de IA da Microsoft irá implantar centenas de milhares de chips Vera Rubin.
Para solucionar o gargalo de "memória" da IA, a Nvidia construiu uma plataforma de armazenamento de contexto de inferência baseada no BlueField-4 DPU, adicionando 16 TB de memória compartilhada de alta velocidade a cada GPU, além do 1 TB padrão, conectados por uma largura de banda de 200 Gb/s, solucionando o problema da "parede de memória de vídeo" em textos longos.
Em termos de eficiência energética, o rack Rubin NVL72 é totalmente refrigerado a líquido, suportando temperatura de entrada de água de 45°C, o que significa que data centers podem dissipar calor sem precisar de chillers de alto consumo energético. Huang afirma que isso economizará 6% da energia dos data centers globalmente.
Discurso de Jensen Huang impulsiona ações de empresas de armazenamento e derruba ações de fabricantes de refrigeração para data centers
O discurso de Huang na CES teve impacto significativo nos preços das ações dos setores relacionados. Em sua palestra, ele destacou a demanda dos sistemas de IA por memória e armazenamento, afirmando: "Este é um mercado que nunca existiu antes, e pode se tornar o maior mercado de armazenamento do mundo, basicamente sustentando a memória de trabalho global da IA".
Impulsionada por esse discurso, a gigante de chips de armazenamento SanDisk foi o destaque do S&P 500 na terça-feira, com suas ações subindo quase 27,6%, o maior aumento diário desde 18 de fevereiro de 2025.
Nos três primeiros dias de negociação deste ano, a SanDisk acumulou alta de mais de 40% e, desde o ponto baixo de abril do ano passado, disparou cerca de 1050%. Fabricantes de dispositivos de armazenamento como Western Digital e Seagate Technology também registraram altas de dois dígitos na terça-feira.
Já as ações de fabricantes de sistemas de refrigeração para data centers despencaram. As ações da Johnson Controls chegaram a cair 11% na terça-feira, fechando em queda de mais de 6,2%. A Modine Manufacturing chegou a cair 21% durante o pregão, mas reduziu parte das perdas e fechou em baixa de quase 7,5%. Trane Technologies e Carrier Global fecharam em queda de 2,5% e 0,5%, respectivamente.
A queda nessas ações foi motivada pela afirmação de Huang de que os chips Rubin podem usar resfriamento por água morna, sem necessidade de chillers. Huang afirmou na CES que racks de servidores equipados com os novos chips Rubin poderão ser resfriados em temperaturas que dispensam chillers, exigindo fluxo de ar semelhante aos racks com chips Blackwell.
Pesquisas do setor apontam que chillers são equipamentos "principais" fornecidos por empresas como Trane e Johnson Controls para data centers.
No relatório do analista da Baird, Timothy Wojs, lê-se que os comentários de Huang “levantaram algumas dúvidas e preocupações sobre o posicionamento de longo prazo dos equipamentos de refrigeração em data centers, especialmente à medida que a tecnologia de resfriamento líquido se torna cada vez mais popular”.
O analista do Barclays, Julian Mitchell, afirmou: “Dada a posição dominante da Nvidia em todo o ecossistema de IA, seus comentários, embora à primeira vista possam parecer exagerados, não devem ser subestimados”.
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