Grande migração de ouro dos bancos centrais em vários países: riscos de proteção e sanções remodelam o panorama global de armazenamento de ouro dos bancos centrais
Site de notícias Cambial 11 de setembro—— Rhona OConnell, chefe de análise de mercado para Europa, África e Ásia da StoneX, destacou que as recentes reportagens midiáticas tendem a induzir o mercado em erro, pois os bancos centrais de vários países não estão vendendo reservas de ouro, mas sim ajustando o local de armazenamento devido a preocupações com risco de sanções e apreensão de ativos. França e Holanda concluíram operações de transferência de ouro, sendo o congelamento das reservas do banco central russo em 2022 um dos principais fatores. O Banco Central da Holanda anunciou em 2 de setembro o plano de transferir 86 toneladas de ouro, com o objetivo de aumentar a liquidez e resiliência das reservas em tempos de crise, enquanto a configuração de depósitos de ouro dos bancos centrais globais está sendo remodelada.
Diversas manchetes de notícias têm induzido o mercado a acreditar que bancos centrais ao redor do mundo estão promovendo uma venda em massa de reservas de ouro.
Rhona OConnell, chefe de análise de mercado para Europa, África e Ásia da StoneX, esclareceu que não é esse o caso; os bancos centrais estão apenas ajustando o local de armazenamento do ouro. O principal motivo por trás disso é a crescente preocupação com o risco de que reservas mantidas no exterior sejam alvo de sanções ou mesmo apreendidas. Usando os exemplos dos bancos centrais da França e da Holanda, ela explicou essa onda global de transferências de ouro. O Banco Central da Holanda anunciou localmente, em 2 de setembro, seu plano de transferir ouro, realizando ao todo a movimentação de 86 toneladas, o que gerou ampla atenção no mercado global de metais preciosos.
Desvendando as operações dos Bancos Centrais da França e Holanda: troca contábil + transporte físico, não venda de ouro
Rhona OConnell citou que, entre junho de 2025 e janeiro de 2026, o Banco Central francês vendeu 129 toneladas de ouro que estavam armazenadas em Nova York, volume este que representa menos de 5% do total oficial de 2.437 toneladas em reservas de ouro do país. Posteriormente, recomprou esse ouro no mercado europeu, o que, na prática, significou a transferência do metal para Paris. As notícias na época criaram um mal-entendido porque destacaram apenas que a França vendeu o ouro armazenado nos Estados Unidos, mas não mencionaram o fato de o ouro ter sido recomprado na Europa depois; no fundo, tratava-se apenas de uma troca do local de armazenamento.
A Holanda rapidamente seguiu o exemplo da França adotando lógica operacional semelhante. Das 86 toneladas movimentadas, 59 toneladas passaram por troca de local, sendo transferidas para cofres de Londres, enquanto 27 toneladas foram transportadas fisicamente direto de Nova York e Ottawa para a cidade de Zeist, na Holanda. Essa parte física provavelmente dispensou o processo de refundição do ouro nos padrões aceitos em Londres. Assim, o movimento envolveu 59 toneladas em troca contábil mais 27 toneladas de transferência física.
O presidente do Banco Central da Holanda, Olaf Sleijpen, afirmou que, por meio desta transferência, o país aumentou a negociabilidade das reservas de ouro. Embora o banco central espere que essas reservas nunca precisem ser usadas, é necessário fortalecer a resiliência econômica nacional e a capacidade de resposta a crises.
Riscos de sanções soam o alarme, impulsionando bancos centrais globais a repensarem a segurança das reservas
O risco de apreensão de ativos é o principal fator por trás desta série de movimentos envolvendo ouro. Rhona OConnell analisa que o catalisador dessa onda de transferências foi o congelamento, em 2022, de cerca de US$ 300 bilhões em reservas do Banco Central da Rússia por países ocidentais. Esse episódio enviou um sinal claro aos bancos centrais de países não alinhados:
Outro caso recente que chamou atenção do mercado envolve o Banco da Inglaterra, que mantém o ouro da Venezuela sob sua guarda. Enquanto o governo britânico não reconhecer o regime atual da Venezuela, esse ouro permanecerá congelado. Rhona OConnell acrescentou que a Venezuela solicitou a devolução do ouro nas últimas semanas, com relatos indicando envolvimento dos Estados Unidos nas negociações. A cronologia sugere possível relação com outros acordos entre EUA e Venezuela.
Mudanças estruturais nas reservas de ouro da Holanda destacam ouro como âncora de confiança
Segundo o Banco Central holandês, esta transferência de ouro visa aumentar a capacidade de resposta em situações de crise, bem como a liquidez e negociabilidade dos ativos de reserva. O banco explicou que o ouro mantido em Nova York e Ottawa não pode ser rapidamente ou diretamente acessado em caso de crise. Ao manter uma maior proporção de ouro em Londres, reforça-se o papel desse metal como "âncora de confiança". Para o banco central, o ouro é o ativo de reserva supremo, ideal para mitigar riscos sistêmicos extremos.
Antes desta transferência, cerca de 31% das reservas de ouro da Holanda estavam armazenadas no país, aproximadamente 18% em Londres, mais de 31% em Nova York e quase 20% em Ottawa. Após o ajuste, 32% do ouro oficial estará em Londres, enquanto Nova York e Ottawa abrigarão, cada uma, 18,5%. Isso representa uma significativa redução na proporção de ouro em cofres norte-americanos, com a Holanda migrando parte considerável das reservas para Londres e território nacional, otimizando a possibilidade de utilização em situações de crise.
Conclusão
As operações de transferência de ouro dos bancos centrais da França e Holanda esclarecem o equívoco de que os bancos centrais estão “vendendo reservas de ouro”, mostrando que, na verdade, trata-se de uma realocação estratégica por questões de segurança. O congelamento de reservas internacionais em 2022 mudou profundamente os critérios de avaliação de segurança dos bancos centrais; o local de armazenamento físico do ouro tornou-se um fator chave na gestão de reservas. Ao ajustar a distribuição do ouro, a Holanda reduziu sua exposição na América do Norte e ampliou a liquidez das reservas para situações de crise.
Essas iniciativas dos bancos centrais reforçam o valor estratégico do ouro em alocações de longo prazo e indicam que a configuração global de armazenamento de ouro oficial continuará a mudar. Por isso, investidores em metais preciosos devem acompanhar atentamente os próximos movimentos dos bancos centrais.
Gráfico diário do ouro à vista – Fonte: EasyCambial
Fuso horário Leste Asiático 11 de setembro, 12:19 – Ouro à vista cotado a 4.320,77 USD/onça
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