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De quase sair do mercado a um aumento de US$ 44 bilhões em valor de mercado: a aposta de dez anos da vacina contra o câncer da Moderna

De quase sair do mercado a um aumento de US$ 44 bilhões em valor de mercado: a aposta de dez anos da vacina contra o câncer da Moderna

华尔街见闻华尔街见闻2026/08/22 13:01
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By:华尔街见闻

De certa forma, se não fosse pelo enorme fluxo de caixa gerado pela vacina contra a COVID-19, a Moderna talvez teria dificuldades para manter até hoje essa aposta de alto risco no tratamento do câncer.

A Moderna está apostando em vacinas contra o câncer, tentando abrir uma segunda curva de crescimento para a empresa.

Em 19 de agosto, a Moderna divulgou os resultados clínicos fundamentais da vacina personalizada de mRNA contra melanoma desenvolvida em conjunto com a Merck. Os dados mostram que, em comparação com o uso isolado do Keytruda, essa terapia pode reduzir em 44% o risco de recidiva ou morte em pacientes com melanoma de alto risco. Após o anúncio, o valor das ações da Moderna disparou, e o valor de mercado da empresa chegou a aumentar cerca de US$ 44 bilhões.

Dois dias depois, uma reportagem aprofundada do The Wall Street Journal, em 21 de agosto, retratou o clima do dia do anúncio: 4.500 funcionários da sede da Moderna reuniram-se temporariamente na cafeteria da empresa, aguardando a diretoria anunciar o resultado que vinha sendo planejado há mais de dez anos. O CEO Stéphane Bancel chegou a discursar com cartões na mão; houve abraços, lágrimas – e até champanhe foi aberta no local.

Para a Moderna, isso não é apenas um avanço clínico, mas também o momento-chave de uma aposta de longa data finalmente chegando ao auge.

A vacina contra a Covid-19 permitiu que a Moderna conseguisse cerca de US$ 36 bilhões em receita em poucos anos, fornecendo caixa suficiente para sustentar apostas contínuas em projetos de alto risco como o câncer. Mas, com o fim do “boom pandêmico”, a empresa viveu queda brusca nas vendas, demissões, corte de projetos de P&D e forte queda das ações, levando o mercado a questionar como a Moderna poderia crescer após o fim do ciclo da Covid.

Agora, finalmente, a Moderna tem uma resposta significativa.

A reportagem aponta que a grande aposta da empresa está longe de ter acabado. Se os efeitos serão duradouros, se as vacinas personalizadas poderão ser produzidas em larga escala, se os custos serão aceitos pelo mercado, e se essa tecnologia poderá ser replicada para outros tipos de câncer — todos esses fatores determinarão se esse avanço será apenas um salto de curto prazo ou se a Moderna irá realmente inaugurar uma segunda curva de crescimento.

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Uma aposta milionária de mais de dez anos contra o câncer

O The Wall Street Journal recorda que a Moderna começou a pesquisar terapias de mRNA para o câncer muito cedo, mas no início a companhia não tratava o segmento oncológico como prioridade. O motivo é simples: vacinas contra o câncer já haviam fracassado em inúmeras tentativas, com ciclos longos de desenvolvimento, custos elevados e taxas de sucesso bastante limitadas.

Somente em 2013, quando o gestor de fundos patrimoniais Patrick Degorce perdeu sua esposa para o câncer de pulmão, decidiu investir US$ 500 mil no projeto oncológico da Moderna, permitindo que a empresa avançasse nesse caminho.

O que realmente mudou o destino do projeto foi a colaboração firmada em 2016 com a Merck. Na época, a Merck investiu US$ 200 milhões, e ambas as partes começaram a explorar o efeito do uso combinado da vacina de mRNA com o Keytruda. Para a Moderna, que ainda estava em estágios iniciais, esse capital e a integração com uma terapia imunológica madura para câncer deram um impulso crucial para o andamento do projeto.

Logo depois, a pandemia de Covid se tornou uma munição inesperada para a aposta de longo prazo.

A vacina da Moderna contra a Covid-19 gerou cerca de US$ 36 bilhões em receita nos dois primeiros anos da pandemia, e boa parte desse dinheiro foi investido em novos negócios, como oncologia. Em certo sentido, se não fosse o fluxo de caixa massivo da vacina da Covid, talvez a Moderna não conseguisse sustentar essa aposta de alto risco no câncer até hoje.

O mRNA começa a ir de “imunizar” para “tratar câncer”

A principal diferença desta vacina contra o câncer em relação às vacinas tradicionais é que ela não possui uma única fórmula universal para todos os pacientes, mas sim é personalizada de acordo com as características do tumor de cada um.

Segundo o The Wall Street Journal, os médicos primeiramente fazem o sequenciamento do tumor do paciente para encontrar mutações específicas das células cancerígenas. Em seguida, um algoritmo seleciona os alvos mais promissores para atacar, podendo escolher até 34. Essas informações são então codificadas no mRNA e entregues ao corpo através de nanopartículas lipídicas.

Em resumo, o objetivo é fornecer ao sistema imunológico uma “lista de identificação” destinada exclusivamente ao tumor específico, ajudando as células T a localizar e atacar as células cancerosas com ainda mais precisão.

Esse é o verdadeiro valor dessa tecnologia: se esse modelo personalizado for validado para outros tipos de câncer, o valor comercial do mRNA pode passar da dependência da vacina contra a Covid para um mercado ainda maior de terapias oncológicas.

O mercado já não acreditava mais na Moderna

Antes desses dados serem revelados, o mercado estava bastante pessimista em relação à Moderna. Com a queda acelerada na demanda por vacinas contra a Covid, a receita da empresa foi pressionada, levando a cortes contínuos de pessoal e custos, e as dúvidas sobre a viabilidade comercial da tecnologia mRNA só aumentaram.

Segundo dados citados pelo The Wall Street Journal, no início deste ano a taxa de venda a descoberto das ações da Moderna chegou a cerca de 20%. O problema central é claro: sem a vacina contra a Covid, no que mais a Moderna pode apostar para lucrar?

Por isso não é de se estranhar que, logo após a Moderna divulgar dados positivos sobre a vacina contra o câncer, o mercado tenha reprecificado rapidamente a empresa. Se a plataforma de mRNA conseguir repetir esse sucesso no tratamento de câncer, a Moderna terá chance de provar que não dependeu apenas dos ventos favoráveis da pandemia, mas sim que é uma companhia de biotecnologia com capacidade contínua para inovar e comercializar produtos.

No entanto, a comunidade científica permanece cautelosa. A reportagem cita o ganhador do Prêmio Nobel e pioneiro da tecnologia de mRNA, Drew Weissman, que aponta que os dados atuais ainda não são suficientes para responder a questões cruciais, como a duração do efeito do tratamento. Em outras palavras, a redução de 44% do risco de recidiva ou morte é um sinal importante, mas é preciso ainda mais dados clínicos para provar que essa tecnologia realmente pode transformar o tratamento do câncer.

O verdadeiro teste virá após a aprovação

Mesmo que os resultados clínicos continuem positivos, a Moderna ainda enfrentará outra questão bastante objetiva: essa vacina poderá realmente se tornar um bom negócio?

O tratamento personalizado significa que cada paciente pode precisar de uma vacina adaptada às mutações do próprio tumor. Em comparação com medicamentos tradicionais, que podem ser produzidos em grande escala, esse modelo é naturalmente mais complexo, implicando maiores custos de fabricação e logística.

Segundo especialistas entrevistados pelo The Wall Street Journal, esse tipo de terapia personalizada poderá enfrentar custos elevados no futuro. Isso significa que o próximo desafio da Moderna não é apenas “funciona ou não funciona”, mas envolve a viabilidade de produção em escala, cobertura de seguro saúde e acessibilidade ao paciente.

No momento, a Moderna e a Merck planejam divulgar mais dados clínicos relevantes e expandir esse tipo de tratamento para outros tipos de câncer, como pulmão, rim e pâncreas. Se futuras provas continuarem a comprovar o efeito, talvez o momento de colher os frutos de mais de dez anos dessa aposta esteja próximo.

Para uma empresa que subiu rapidamente com a vacina da Covid e depois mergulhou por conta do fim da pandemia, o que realmente importa não é quanto a ação subiu em um dia, mas se será capaz de, através das vacinas contra o câncer, provar que: a história do mRNA pode estar apenas começando.

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