CEO da Arm: A IA pode ajudar a humanidade a vencer o câncer em nossa vida, mas o fornecimento de chips é o maior gargalo.
O CEO da Arm, Rene Haas, afirmou em entrevista à BBC que a inteligência artificial possui um potencial revolucionário de aplicação na área da saúde, podendo reduzir o tempo de desenvolvimento e teste de medicamentos, com chance de ajudar a humanidade a vencer o câncer ainda nesta geração.
Autor do artigo e fonte: BBC
O CEO da Arm declarou que a inteligência artificial pode possibilitar que a humanidade vença o câncer ainda durante a vida da nossa geração. No entanto, antes de alcançar esse objetivo, toda a indústria precisa primeiro resolver um desafio real: produzir chips suficientes para fornecer o poder computacional necessário à IA.
"Sempre acreditei que a verdadeira aplicação disruptiva da IA é na saúde." disse Rene Haas, CEO da Arm, em vídeo de entrevista divulgado pela BBC nesta terça-feira, horário local. "A IA não apenas pode reduzir o tempo necessário para o desenvolvimento de medicamentos, mas também acelerar a fase de testes de remédios."
“Primeiro, precisamos de mais fábricas de semicondutores”
Haas ingressou na Arm em 2013 e tornou-se CEO em fevereiro de 2022, tendo trabalhado antes na NVIDIA durante sete anos como vice-presidente da divisão de produtos de computação. Na entrevista, ele afirmou que a IA pode solucionar problemas que são difíceis demais para humanos sozinhos: “Acredito que, em nossa vida, a IA ajudará a humanidade a superar o câncer”.
No entanto, ele ressaltou que isso exige um poder computacional massivo e, atualmente, os chips necessários para pesquisas sobre o câncer e para o desenvolvimento de robôs humanóides estão sendo consumidos em grande escala por empresas de IA que planejam construir data centers com capacidade de diversos gigawatts. “Atualmente, a oferta de poder computacional realmente é muito limitada. Antes de conseguirmos construir data centers no espaço, precisamos primeiro de mais fábricas de semicondutores, isso posso garantir.”
Haas afirmou que a demanda de IA por chips e memória é de uma magnitude inédita para a indústria de semicondutores, e que a construção de novas fábricas não resolve rapidamente o problema — uma fábrica pode exigir investimentos de dezenas de bilhões de dólares e o ciclo de construção geralmente leva de dois a três anos. Segundo ele, a indústria de semicondutores neste momento enfrenta um cenário de oferta extremamente restrita, e a pressão na oferta deve continuar por mais tempo.
Vencer o câncer não depende só de computação: expansão dos data centers também provoca oposição
Mesmo que o gargalo dos chips seja superado, não há garantia de que a IA conseguirá vencer o câncer nos próximos anos. Pesquisadores médicos ressaltam que o câncer não é uma doença única, mas sim um grande grupo composto por mais de 100 doenças diferentes, com forte variação entre pacientes. A IA realmente pode ajudar a identificar possíveis alvos de medicamentos e prever ações de remédios, mas ainda há poucas evidências de impacto concreto na medicina clínica, e as múltiplas variáveis do corpo humano tornam difícil para os modelos prever de forma confiável o efeito real de medicamentos candidatos.
Outros executivos do setor de chips também emitiram alertas semelhantes. O COO da Micron Technology, Manish Bhatia, afirmou em janeiro deste ano que a atual escassez de memória é “de fato sem precedentes”, com HBM ocupando grande parte da capacidade, levando a uma “grave falta de fornecimento” para produtos tradicionais como celulares e PCs. Já o CEO da Qualcomm, Cristiano Amon, afirmou na teleconferência de resultados de fevereiro que "a escassez geral de memória e o aumento dos preços" determinarão o tamanho do mercado de celulares neste ano.
Nos últimos anos, os Estados Unidos têm expandido rapidamente a construção de data centers, e, até o fim do ano passado, já haviam mais de 1.400 data centers construídos ou em processo de aprovação. Com a proliferação de data centers nas comunidades, surgem também debates sobre os impactos na qualidade do ar e nos recursos hídricos. Segundo pesquisa da Gallup realizada em maio deste ano, entre mil adultos norte-americanos, 70% se opõem à construção de data centers para IA em suas regiões e quase metade demonstra "forte oposição".
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