O “momento Big Tobacco” das redes sociais chegou: Meta (META.US) perde processo no Novo México e é condenada a pagar US$ 567 milhões em indenização
A Meta (META.US) foi obrigada a pagar US$ 567 milhões a um fundo de compensação do estado do Novo México, como parte de um caso de transtorno público e um dos muitos processos que a empresa enfrenta devido às acusações de danos causados por seus aplicativos.
O aplicativo financeiro Zhihu soube que a Meta (META.US) foi ordenada a pagar US$ 567 milhões para um fundo de compensação do estado do Novo México. Este é parte de um caso de incômodo público e, também, uma das muitas ações judiciais que a empresa enfrenta devido a danos alegadamente causados por seus aplicativos.
Esse fundo é um valor adicional aos US$ 375 milhões de multa civil que a Meta foi condenada a pagar anteriormente neste ano por violar a Lei de Práticas Injustas do Novo México. A segunda fase do julgamento começou em maio, com o objetivo de determinar se as ações da Meta constituem um incômodo público, o que pode requerer correções em seus produtos.
No despacho de quinta-feira, o juiz Bryan Biedscheid escreveu: "Embora a Meta não seja a única empresa com este problema, uma grande quantidade de provas neste caso mostra que sua plataforma de mídia social é um fator importante que contribui para a atual crise de saúde mental entre adolescentes no Novo México."
A maior parte dos recursos desse fundo — US$ 420 milhões — será destinada especificamente ao tratamento de pessoas prejudicadas pela plataforma. O restante será destinado ao aumento da conscientização e prevenção, triagem e avaliação, encaminhamento e coordenação, além de implementação, melhoria de qualidade e avaliação.
Para a Meta e seus pares, este caso é um dos vários em que especialistas têm chamado de o momento "Grande Tabaco" das redes sociais neste ano. Nos anos 1990, empresas de tabaco foram obrigadas a pagar bilhões após enganar o público sobre a segurança e os perigos potenciais de seus produtos, em seguida, sofreram uma queda acentuada em poder e influência.
A Meta destacou em seu arquivo financeiro do segundo trimestre, "O Procurador-Geral do Novo México afirmou que pretende buscar multas de até US$ 62,85 bilhões neste caso."
O tribunal precisa ponderar múltiplos fatores para decidir se as plataformas da Meta constituíram, como alegado, um incômodo público no Novo México. Os casos relacionados a esse tipo de acusação normalmente envolvem o mundo físico em vez da internet, o que exige que os autores comprovem o vínculo entre os danos ocorridos no estado e os aplicativos da Meta.
Biedscheid citou depoimentos de vários profissionais das áreas de saúde e afins. Ele observou que o estado não oferece programas e serviços suficientes de saúde mental para ajudar adolescentes afetados pelas redes sociais.
Relação de Causalidade
Segundo a decisão, "depoimentos de especialistas apoiam a existência de uma relação causal entre as mídias sociais e a crise de saúde mental dos adolescentes no Novo México."
O Procurador-Geral do Novo México, Raúl Torrez, afirmou em comunicado: "A decisão responsabiliza a empresa pelos danos causados aos nossos filhos, famílias e escolas, e obriga a Meta a realizar mudanças reais em sua operação no Novo México."
Um porta-voz da Meta declarou que a empresa discorda da decisão e planeja apelar.
O porta-voz afirmou: "Nos esforçamos para garantir a segurança das pessoas em nossas plataformas e sempre fomos transparentes sobre os desafios em identificar e remover maus atores e conteúdos nocivos," "Estamos confiantes no nosso histórico de proteção de jovens online e continuaremos a nos defender contra acusações que distorcem os fatos."
Torrez processou a Meta em 2023, após realizar uma investigação secreta na qual criou um perfil falso de uma menina de 13 anos numa rede social. Ele disse anteriormente à imprensa que a conta "foi literalmente inundada por imagens de abusadores de crianças e assédio direcionado".
No comunicado antes do início da segunda fase do julgamento, o Procurador-Geral declarou que, como parte do caso, buscava forçar a Meta a reformular completamente seus aplicativos, incluindo a implementação de tecnologias eficazes de verificação de idade, modificação de algoritmos de recomendação para não prejudicarem o bem-estar infantil e outras mudanças que "reestruturariam fundamentalmente o modelo de negócios da Meta autorizado no estado".
Além do fundo de compensação, a decisão de quinta-feira também exige que a Meta continue utilizando IA para "melhorar modelos e ferramentas de garantia de idade no Novo México" e tente "desenvolver, em dois anos, um modelo dedicado de predição de idade para menores de 13 anos".
Outras medidas incluem a simplificação do processo de denúncia de uso por menores, bem como "colaboração com escolas ou organizações de segurança infantil para criar um portal de denúncias, onde administradores escolares possam sinalizar contas suspeitas de usuários com menos de 13 anos em qualquer plataforma de mídia social".
No entanto, a Meta não foi obrigada a realizar mudanças diretas em seus algoritmos, pois Biedscheid escreveu que isso poderia conflitar com a Seção 230 da Lei de Decência nas Comunicações e as proteções da Primeira Emenda. O juiz acrescentou que a Meta não será obrigada a interromper o suporte à criptografia de ponta a ponta no Facebook.
O juiz destacou que o WhatsApp da Meta "não é a causa do incômodo público que precisa ser eliminado, pois a plataforma não recomenda predadores ou conteúdos nocivos para adolescentes".
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