Lululemon(LULU.US) despenca 18% após resultados, ações já caíram pela metade no ano; analistas avaliam: ainda não é hora de comprar na baixa
Após apresentar mais um trimestre de resultados financeiros fracos, as ações da Lululemon (LULU.US) despencaram 18%, caindo para cerca de 100 dólares.
De acordo com o aplicativo de notícias financeiras Zhihui Financeiro, a Lululemon (LULU.US), líder em roupas esportivas de yoga premium, viu suas ações despencarem 18% para cerca de US$ 100 após apresentar mais um trimestre de resultados decepcionantes. Para investidores com foco em valor, esse preço é tentador — as ações já acumularam queda de 52% no ano, a marca ainda é mundialmente reconhecida e uma nova CEO está para assumir. O raciocínio por trás dessa visão otimista é compreensível, mas, considerando os fundamentos atuais, talvez ainda seja cedo para apostar na reversão.
Motor de crescimento “desligado”: vendas de leggings de yoga caem 20%
Na opinião do colunista On the Pulse, do Seeking Alpha, o cerne do problema não está no desempenho trimestral abaixo do esperado, mas sim na perda de dinamismo no segmento de negócios mais essencial da Lululemon. Dados mostram que a receita do segundo trimestre caiu 4%, as vendas comparáveis recuaram 9%, a receita nas Américas caiu 8% e nas vendas comparáveis dessa região a queda foi ainda maior: 12%. A administração reduziu novamente a projeção de desempenho anual e espera queda adicional de 10%-11% na receita do terceiro trimestre. Os fundamentos aparentam se deteriorar ainda mais.
O mercado esperava que a receita da Lululemon no segundo trimestre fosse em torno de US$ 2,46 bilhões, mas o resultado foi de US$ 2,416 bilhões. Essa pequena diferença não justifica o grande volume de vendas de ações; o problema real está na forte revisão negativa das projeções.
Pelo quadro abaixo, é possível observar que o desempenho do segundo trimestre não parece ser apenas uma queda temporária, mas sim um recuo persistente do motor de demanda.

O mercado internacional continua contribuindo para o crescimento, mas ainda não é suficiente para compensar a fraqueza das Américas. Enquanto as receitas internacionais cresceram 4%, nas Américas o recuo foi de 8%. Se o recuo no negócio nas Américas decorresse apenas de uma base comparativa muito elevada, essa diferença poderia ser justificada. Contudo, a queda de 12% nas vendas comparáveis nas Américas revela um problema mais profundo — tanto nas lojas físicas quanto nos canais online, os consumidores estão reduzindo significativamente suas compras.
Do ponto de vista dos produtos, há desafios claros. Segundo relatos, as vendas da icônica legging de yoga da Lululemon despencaram 20%, e isso não é apenas um evento pontual. Esses leggings foram o carro-chefe que consolidou o posicionamento único da marca. Atualmente, a Lululemon tenta direcionar a demanda para modelos mais amplos, mas, até agora, as novas categorias não conseguiram compensar a queda nas antigas campeãs de vendas.
A má performance não pode ser atribuída apenas a fatores macroeconômicos. Mesmo com o mesmo ambiente de consumo, o negócio internacional cresce enquanto o mercado americano recua 8%. A concorrência de empresas como Alo Yoga e Vuori está acirrando, e a própria Lululemon admite que a inovação de produtos e marketing estão aquém do necessário. A queda do preço da ação não resolve a atratividade da marca, apenas faz com que investidores optem por esperar que a diretoria apresente uma solução concreta.
Heidi O'Neill assumirá oficialmente como CEO em 8 de setembro e traz um histórico de sucesso na Nike. O ponto central, porém, é: o ciclo de planejamento de produto é medido em meses; quando as mudanças da nova gestão chegarão às prateleiras?
Revisão nas projeções é o verdadeiro “miss”
Após o resultado do primeiro trimestre, a Lululemon projetava receita anual de US$ 11,0 a US$ 11,15 bilhões para o ano fiscal de 2026 e lucro diluído por ação (EPS) de US$ 10,95-11,15. Agora, o novo guidance para 2026 caiu para receita de US$ 10,35-10,5 bilhões e EPS de US$ 9,48-9,73.
Pela mediana, a expectativa de receita foi reduzida em cerca de 5,9% em apenas um trimestre, e o EPS recuou aproximadamente 13,1%. O que preocupa ainda mais é que o guidance do EPS já inclui o benefício de recuperação de tarifas no 2º trimestre (US$ 0,86 por ação). Sem esse efeito, o recuo operacional é ainda mais severo que os números mostram.

A lógica pessimista não exige uma derrocada da receita, mas coloca em xeque se as projeções de lucro continuarão sob pressão de cortes — tendência atual. A empresa espera receita de US$ 2,29 a US$ 2,32 bilhões no terceiro trimestre, uma queda anual de 10%-11%, e EPS de US$ 0,93-0,98. Esses números ainda não sinalizam um ponto de virada claro.
A revisão para baixo das projeções objetivamente reduz o ponto de partida para a nova CEO, mas essa base mais baixa por si só não indica melhora dos fundamentos. Antes de apostar numa recuperação, é importante observar se as mudanças nos produtos realmente estimulam o retorno do fluxo de clientes — algo que só o tempo poderá dizer.
A “gordura” da margem bruta
A margem bruta é o dado mais destacado entre os argumentos otimistas — subiu 200 pontos-base, atingindo 60,5% no trimestre, algo notável mesmo com a queda na receita. Mas, analisando os detalhes, a conclusão é diferente.
No trimestre, a Lululemon confirmou US$ 134,5 milhões em recuperação de tarifas e US$ 4,1 milhões em juros relacionados. Segundo a própria empresa, esse fator aumentou a margem bruta em 560 pontos-base e adicionou US$ 0,86 ao lucro por ação. Excluindo esse ganho, a margem bruta ajustada fica em torno de 54,9%, abaixo dos 58,5% do mesmo período do ano anterior. O fluxo de caixa causado pelo reembolso é real e não deve ser ignorado, mas não representa melhora operacional. Uma vez excluído esse evento único, a margem segue pressionada.

A variação da margem operacional é ainda mais evidente — mesmo com o incremento de 560 pontos-base com o reembolso, a margem caiu 190 pontos-base para 18,8%. Embora empresas possam usar o controle de custos para manter lucros temporariamente mesmo com queda de receita, para marcas premium esse ganho é limitado.
Cuidado com a armadilha de baixa avaliação
A avaliação é hoje o ponto mais forte do argumento dos otimistas. Perto dos US$ 100, a Lululemon deixou de ser uma ação de crescimento com múltiplos elevados.
Com base no guidance ajustado, o P/L está em cerca de 10,4 vezes, uma avaliação baixa para uma empresa historicamente lucrativa como a Lululemon. Mesmo excluindo os US$ 0,86 por ação do reembolso da tarifa, o múltiplo é de cerca de 11,4 vezes — ainda atrativo, mas sem sustentação nos fundamentos.

O baixo múltiplo só é justificável quando os lucros são estáveis, mas, no caso da Lululemon, as projeções seguem em queda. Isso caracteriza a clássica “armadilha de valor em virada”: o investidor supõe que a média eventualmente será restaurada só porque o múltiplo está baixo, ignorando que as bases de lucro continuam encolhendo. Uma estratégia mais prudente talvez seja esperar um real ponto de inflexão na receita, pagando um múltiplo maior, ao invés de entrar só porque o preço parece barato.
A recuperação não chegou, cautela é recomendada
Segundo On the Pulse, antes de abandonar o pessimismo será preciso aguardar três sinais-chave:
Primeiro, as vendas comparáveis nas Américas precisam mostrar melhora substancial dos atuais -12%;
Segundo, as novas linhas devem comprovar que conseguem de fato preencher a lacuna das leggings, e não apenas sustentar as vendas com descontos;
Terceiro, as projeções de lucro precisam parar de cair.
A nova CEO é a maior aposta para catalisar mudanças. Heidi O'Neill tem ampla experiência na Nike, onde impulsionou várias grandes marcas de consumo e moda. Se conseguir encurtar o ciclo de desenvolvimento de produtos, otimizar a estratégia de portfólio e reaquecer a marca, a recuperação da Lululemon é plenamente possível. A empresa conta com US$ 1,39 bilhão em caixa e lucros contínuos, o que afasta o risco de crise no balanço e dá margem de manobra à nova gestão.
Este é o ponto central da complexidade: o valor da Lululemon não está permanentemente prejudicado, mas os sinais de recuperação ainda não apareceram, tornando o momento de entrada pouco claro. As ações estão mais baratas, mas o negócio ainda não melhorou.
No geral, analistas de Wall Street mantêm uma visão cautelosa sobre a Lululemon, com classificação consensual “manter” e preço-alvo médio de US$ 103,37 — apenas 3% acima do nível atual.

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