Economizar nos Estados Unidos e fazer o resto do mundo pagar a conta? Estudo do setor alerta: A pressão de Trump para baixar preços de medicamentos pode incentivar aumentos no exterior pelas farmacêuticas.
Uma pesquisa publicada na The Lancet mostra que a redução dos preços de medicamentos promovida por Trump nos Estados Unidos pode forçar as fabricantes farmacêuticas a aumentarem os preços ou saírem de mercados estrangeiros, resultando em uma possível redução significativa dos cerca de 11,6 bilhões de dólares economizados anualmente pelo Medicare.
Segundo informações do Jinse Finance APP, um estudo revelou que as medidas promovidas pelo governo Trump para reduzir os gastos com medicamentos nos Estados Unidos acabaram servindo como um forte incentivo para que as farmacêuticas elevassem os preços dos remédios e restringissem a acessibilidade dos medicamentos em outras regiões do mundo.
O presidente desejava que os preços dos medicamentos do Medicare, plano federal de saúde dos EUA, fossem equiparados aos de outros países ricos. No entanto, os pesquisadores descobriram que, entre os medicamentos analisados, cerca de três quartos deles apresentariam, caso as empresas cobrassem preços mais baixos ao Medicare, perdas de receita nos Estados Unidos superiores ao total das vendas do medicamento obtidas nos países de referência, onde os preços são mais baixos.
De acordo com o estudo publicado no domingo na The Lancet, o resultado é que as farmacêuticas podem optar por aumentar preços em alguns países ou até mesmo sair de determinados mercados.
As empresas farmacêuticas já firmaram uma série de acordos com a Casa Branca, e algumas também buscam usar essa política dos EUA como alavanca para aumentar os preços em outros lugares. Por exemplo, a Astellas Pharma afirmou que, devido a preocupações com a política de preços de Trump, conseguiu negociar um valor mais elevado para um novo medicamento oftalmológico no Japão este ano.
Na Europa, algumas empresas estão a rever os seus planos. O CEO da Biogen, Chris Viehbacher, declarou este ano que a empresa irá lançar o seu novo medicamento para depressão pós-parto, Zurzuvae, apenas em alguns poucos países europeus; já a Roche Holding afirmou que pode nunca lançar um comprimido para câncer de mama ainda não aprovado em seu mercado doméstico, a Suíça.
No estudo, pesquisadores do Brigham and Women's Hospital analisaram 195 medicamentos patenteados que, em 2024, representaram despesas de 87,9 bilhões de dólares do Medicare. Eles calcularam o valor efetivamente pago por esses medicamentos pelo plano, já considerando descontos e reembolsos confidenciais, e compararam com 19 países de referência.
A equipe de pesquisa constatou que, caso os preços do Medicare fossem reduzidos para igualar os valores de referência, o governo dos EUA economizaria 11,6 bilhões de dólares nos dois programas-piloto desenhados para testar a política. No entanto, se as 17 empresas que fecharam acordos de preços individuais com a Casa Branca forem isentadas, esse valor cairia para 3,3 bilhões de dólares.
Mais cedo este mês, outras nove farmacêuticas fecharam acordo de preços com o governo, mas tais acordos não foram incluídos nesta análise.
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