Exportações de LNG despencam 90%: déficit fiscal trimestral do Catar atinge o maior nível em quase dez anos, economia pode encolher mais de 8% este ano
O déficit orçamentário do Catar no segundo trimestre atingiu cerca de US$ 5,8 bilhões, o maior nível desde o final de 2016 e quase o dobro do trimestre anterior. Após o bloqueio do Estreito de Ormuz, as exportações de gás natural liquefeito (LNG) do Catar despencaram de cerca de 20 milhões de toneladas por trimestre no mesmo período do ano passado para menos de 2 milhões de toneladas entre abril e junho de 2026. Segundo o FMI, a economia do Catar deverá enfrentar uma contração superior a 8% este ano.
O Ministério das Finanças do Catar declarou na plataforma social X que, devido ao conflito entre os EUA e o Irã, que de fato bloqueou o Estreito de Hormuz, a receita do gás natural praticamente evaporou, resultando no maior déficit orçamental trimestral do país em quase uma década.
No segundo trimestre, o déficit orçamental do Catar atingiu 21,2 bilhões de riais (aproximadamente 5,8 bilhões de dólares), o maior nível desde o final de 2016, sendo quase o dobro do registrado no trimestre anterior (déficit de 10,3 bilhões de riais).
Antes do início da guerra no final de fevereiro e do bloqueio do estreito pelo Irã, as exportações de gás natural liquefeito (LNG) do Catar correspondiam a um quinto do total mundial. Com a eclosão do conflito, a receita energética do país sofreu uma queda drástica.
A exportação de LNG deste país do Golfo caiu drasticamente, passando de cerca de 20 milhões de toneladas por trimestre no mesmo período do ano passado para menos de 2 milhões de toneladas entre abril e junho de 2026.
Rotas de exportação bloqueadas, economia pode encolher mais de 8% neste ano
Diferente da Arábia Saudita e dos Emirados Árabes Unidos, o Catar não dispõe de rotas alternativas de navegação que contornem o Estreito de Hormuz, o que impede que seus navios entreguem gás natural aos compradores internacionais, em sua maioria na Ásia.
O país também tem sido alvo frequente de ataques de drones e mísseis iranianos, causando prejuízos de vários bilhões de dólares. Em março deste ano, um ataque de drone forçou a QatarEnergy a interromper as operações de sua principal fábrica de exportação em Ras Laffan, marcando a primeira paralisação na história de quase 30 anos da planta.
Graças à venda de gás natural, o Catar já foi um dos países mais ricos do mundo. De acordo com o Fundo Monetário Internacional (IMF), a economia do país deve registrar uma retração superior a 8% neste ano.
No entanto, a receita não relacionada ao setor de energia aumentou quase cinco vezes entre o primeiro e o segundo trimestres, alcançando 25 bilhões de riais, compensando parcialmente as perdas das exportações petrolíferas. De modo geral, a receita total do Catar caiu cerca de 30%, para 25,6 bilhões de riais, enquanto a despesa total recuou 2,6%, para 46,9 bilhões de riais.
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