Duas derrotas em uma semana! O medicamento inovador para doenças cardíacas da Novartis (NVS.US) falha na fase III, ações despencam e Amgen (AMGN.US) é afetada indiretamente
A gigante farmacêutica suíça Novartis sofreu outro revés em seus ensaios clínicos — pela segunda vez em uma semana, uma de suas principais candidatas a medicamentos fracassou em estudos avançados. O insucesso desta vez foi com o seu potencial medicamento promissor para doenças cardíacas, o pelacarsen.
De acordo com informações do Zhihu Finance APP, a gigante farmacêutica suíça Novartis (NVS.US) sofreu mais um revés em ensaios clínicos — pela segunda vez em uma semana, um dos principais medicamentos candidatos da empresa fracassou em estudos avançados. O insucesso desta vez foi do potencial medicamento inovador para doenças cardíacas, pelacarsen.
Segundo apurado, o medicamento realmente reduziu os níveis de lipoproteína(a) — um indicador de risco de doenças cardiovasculares determinado principalmente por fatores genéticos e que afeta cerca de um quinto da população. No entanto, a Novartis informou, na noite da última sexta-feira, que apesar da redução dos níveis de lipoproteína(a), o medicamento não reduziu significativamente eventos como morte cardiovascular, infarto ou AVC em relação ao grupo placebo.
Esse fracasso foi um duro golpe para as expectativas do setor de que o medicamento abriria novos caminhos para a prevenção de doenças cardiovasculares. Apenas alguns dias antes, a Novartis já havia suspendido temporariamente um ensaio clínico de uma terapia celular experimental para doenças autoimunes, após a morte de três pacientes.
Em decorrência dessa notícia, as ações da Novartis negociadas nos EUA chegaram a cair mais de 7% no fim do pregão regular de sexta-feira. As ações da Amgen (AMGN.US), que desenvolve um medicamento cardíaco semelhante, também recuaram quase 6% no after market do mesmo dia.
O analista da Jefferies, Michael Leuchten, destacou: “Esse resultado faz o mercado questionar se qualquer terapia que reduza a lipoproteína(a) realmente pode trazer benefícios clínicos cardiovasculares no final das contas.” Ele afirma, porém, que a reação negativa do mercado pode ter sido exagerada, já que mesmo que o ensaio fosse bem-sucedido, ainda existiriam dúvidas sobre quais pacientes realmente se beneficiariam e como esse medicamento se compararia com rivais.
A Novartis aposta numa série de novos medicamentos para sustentar seu crescimento, diante da pressão com a expiração das patentes de diversos de seus produtos de maior sucesso. O CEO Vas Narasimhan já afirmou que, caso os resultados dos ensaios avançados fossem favoráveis, a empresa poderia revisar para cima a previsão de aumento anual das vendas em 5% a 6% até 2030.
O próximo marco de P&D da Novartis a ser acompanhado é um medicamento injetável experimental voltado para tratar DM1 (um tipo de doença muscular degenerativa) a nível genético, e não apenas aliviar sintomas. Essa terapia, chamada del-desiran, é também o principal ativo da aquisição da Avidity pela Novartis, no valor de US$ 12 bilhões.
O impacto desses dois insucessos vai além de medicamentos individuais. Anteriormente, a Novartis havia posicionado tanto pelacarsen quanto rapcabtagene autoleucel (rap-cel) como potenciais revoluções em suas respectivas áreas terapêuticas — o primeiro mirando riscos cardiovasculares hereditários até então impossíveis de tratar, e o segundo expandindo a terapia celular CAR-T para o campo das doenças autoimunes.
Vale notar que o insucesso do pelacarsen ocorreu em uma semana de resultados mistos para a Novartis: na ocasião, outro medicamento experimental da empresa cumpriu o prometido, aliviando a situação. O remibrutinib, um medicamento oral para esclerose múltipla, teve sucesso em dois ensaios avançados, levando as ações da empresa a subirem mais de 6% na terça-feira.
A Novartis ainda não divulgou dados detalhados sobre o fracasso do pelacarsen, como o quão próximo o medicamento chegou do objetivo primário, ou se certos subgrupos de pacientes obtiveram maior benefício. A empresa afirmou que os resultados completos serão apresentados em uma conferência médica nos próximos meses.
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