Lucro líquido cresce 66% ano a ano, orientação para o próximo trimestre supera expectativas, mas ainda não é suficiente! Ações da NetApp (NTAP.US) despencam após o fechamento; investidores focam no fluxo de caixa livre e na sustentabilidade do crescimento
Após o fechamento do mercado em 2 de setembro, horário da Costa Leste dos EUA, a empresa americana de armazenamento de dados e infraestrutura inteligente de dados, NetApp, divulgou o relatório financeiro do primeiro trimestre do ano fiscal de 2027.
Segundo o aplicativo de notícias financeiras Zhihui Financeiro, após o fechamento dos mercados nos EUA em 2 de setembro, a empresa americana de armazenamento de dados e infraestrutura inteligente, NetApp (NTAP.US), divulgou o relatório financeiro do primeiro trimestre do ano fiscal de 2027. Apesar de vários indicadores terem alcançado novos recordes históricos e da elevação significativa da orientação financeira anual, as ações da companhia caíram drasticamente no after-market, chegando a recuar quase 9%. Investidores concentraram-se em preocupações como a queda do fluxo de caixa livre, fatores pontuais positivos e a possibilidade de um crescimento consideravelmente mais lento na segunda metade do ano.
No primeiro trimestre fiscal encerrado em 31 de julho de 2026, a NetApp registrou uma receita operacional de US$ 2,03 bilhões, um crescimento de 30% em relação ao ano anterior, superando a estimativa de Wall Street de US$ 1,84 bilhão. Desconsiderando a contribuição de aproximadamente 4 pontos percentuais devido à semana extra neste trimestre, a taxa de crescimento da receita ainda seria de cerca de 26%, significativamente superior ao esperado pelo mercado.

O lucro ajustado por ação foi de US$ 2,58, um aumento de 66% em relação ao mesmo período do ano anterior, também superando com folga a expectativa dos analistas de US$ 2,12. Sob o padrão contábil GAAP dos EUA, o lucro por ação foi de US$ 1,88, também acima da projeção de mercado de US$ 1,65.
Em termos de lucratividade, a margem bruta ajustada da empresa foi de 70,6%, 1 ponto percentual acima do esperado pelo mercado, mas 50 pontos-base abaixo do mesmo período do ano anterior. A administração explicou que isso se deve principalmente ao aumento da participação das receitas de produtos, cujas margens normalmente são inferiores às de serviços e contratos de suporte. A margem operacional fora dos critérios GAAP alcançou 31,9%, uma expansão expressiva de 610 pontos-base ano a ano. O lucro operacional foi de US$ 645 milhões, um crescimento de 61%.
IA e All-Flash impulsionam modernização do modelo de receita
No relatório financeiro, a NetApp enfatizou que a inteligência artificial (IA) passou de “visão de futuro” a “necessidade empresarial” e tornou-se um importante motor de crescimento para a companhia. A administração revelou que, no primeiro trimestre, venceram cerca de 350 contratos relacionados à modernização de IA e data lakes.
Quanto ao portfólio de produtos, as soluções all-flash e de nuvem pública somaram 75% da receita total da empresa, demonstrando sucesso na migração para produtos de alto crescimento e alta margem. As receitas de soluções all-flash atingiram o recorde de US$ 1,31 bilhão, um crescimento de 47%; receita de nuvem pública somou US$ 206 milhões, subindo 28%; e a receita de nuvem híbrida foi de US$ 1,82 bilhão, alta de 30%, com margem bruta de 68,8% nesse segmento.
Como indicador prospectivo, o valor total de cobranças (billings) atingiu US$ 2,06 bilhões, um crescimento de 36,1%; as obrigações de execução remanescente (RPO) atingiram US$ 5,65 bilhões, crescimento anual de 14,3%, indicando que o comprometimento dos clientes continua aumentando.
Além disso, no primeiro trimestre, a NetApp anunciou a aquisição da empresa de infraestrutura de dados para IA, DataPelago, com o objetivo de ajudar os clientes a simplificar e acelerar a implementação de IA em larga escala.
Para o futuro, a NetApp estima que a receita do segundo trimestre ficará entre US$ 2,025 bilhões e US$ 2,175 bilhões, com o ponto médio em US$ 2,1 bilhões, muito acima da estimativa dos analistas de US$ 1,85 bilhão; o lucro ajustado por ação é projetado entre US$ 2,54 e US$ 2,64, também amplamente superior ao consenso de US$ 2,16. A empresa também prevê margem bruta fora do GAAP entre 67% e 68% e margem operacional entre 30,9% e 31,9% no segundo trimestre.
Para todo o ano fiscal de 2027, a NetApp aumentou a orientação de receita anual de US$ 7,33–7,58 bilhões para US$ 7,975–8,225 bilhões, com ponto médio em US$ 8,1 bilhões, US$ 650 milhões superior à estimativa anterior. A projeção ajustada de lucro por ação subiu de US$ 8,70–9,00 para US$ 9,73–10,03. Ambas as projeções estão significativamente acima das estimativas do mercado de US$ 7,55 bilhões em receita e US$ 8,92 em lucro por ação. O ponto médio do novo guidance anual implica crescimento de aproximadamente 17% em relação ao ano anterior.
O CEO George Kurian afirmou no relatório: “A NetApp iniciou este ano fiscal com resultados recordes, superando todas as orientações e entregando nosso trimestre mais forte de todos os tempos. Esse desempenho reflete não apenas a confiança dos clientes existentes, mas também nosso sucesso em conquistar novos clientes. Organizações estão escolhendo a plataforma NetApp para potencializar seus planos de IA e multi-nuvem híbrida.”
Reação do mercado e preocupações
Embora o relatório financeiro tenha sido notável, o preço das ações da NetApp caiu significativamente no after-market de quarta-feira.
A queda se deve, em parte, ao desempenho fraco do fluxo de caixa livre. Em contraste com o lucro robusto, o fluxo de caixa livre do primeiro trimestre foi de US$ 401 milhões, uma queda de 35% em comparação aos US$ 620 milhões do mesmo período do ano passado. A margem de fluxo de caixa livre ficou em cerca de 19,8%. A empresa afirmou que o fluxo de caixa livre normalmente apresenta flutuações trimestrais, fortemente influenciadas pelo timing de recebimentos e pagamentos.
Neste trimestre, a empresa devolveu US$ 302 milhões aos acionistas por meio de recompra de ações e dividendos, sendo US$ 200 milhões em recompra de ações e US$ 102 milhões em dividendos. A companhia também anunciou um dividendo em dinheiro de US$ 0,52 por ação, a ser pago em 28 de outubro. Ao final do trimestre, o número de ações em circulação (diluídas) era de cerca de 200 milhões, redução de 1,5% ano a ano.
Além disso, a reação negativa do mercado também reflete preocupações sobre a sustentabilidade do crescimento. A administração reconheceu na teleconferência de resultados que parte do desempenho forte do primeiro trimestre veio da antecipação de compras de alguns grandes clientes, podendo significar demanda futura trazida para o presente. Além disso, a semana extra do trimestre contribuiu em cerca de 4 pontos percentuais para o crescimento da receita. Ganhos de preço decorrentes do aumento do custo dos componentes também foram considerados fatores positivos pontuais.
Embora a orientação anual tenha sido elevada consideravelmente, com base no novo guidance médio e na receita já alcançada no primeiro trimestre, o crescimento anual implícito na segunda metade deve ser notavelmente mais lento que no primeiro trimestre.
Analistas pressionaram a administração na teleconferência, questionando se os resultados do trimestre refletem demanda genuína ou apenas uma antecipação de pedidos futuros. Kurian atribuiu o desempenho acima do esperado do primeiro trimestre a três fatores: antecipação de compras de grandes clientes, ganhos de preço devido ao aumento dos custos de componentes, e à melhora da demanda impulsionada por IA e modernização de infraestrutura. Contudo, a orientação fornecida pela empresa indica um retorno ao ritmo de crescimento mais normalizado nos próximos trimestres.
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