Kashkari do Federal Reserve: É hora de “aumentar os juros lentamente”, não espere pela inflação sair do controle para “pisar forte no freio”.
Os conflitos internos no Federal Reserve sobre o rumo das taxas de juros estão vindo à tona. O presidente do Federal Reserve de Minneapolis, Kashkari, declarou publicamente nesta quarta-feira que acredita ser o momento de começar a aumentar as taxas de juros lentamente, para conter a inflação e evitar uma necessidade futura de aperto mais agressivo.
Segundo a CNBC, Kashkari afirmou em uma entrevista presencial no Aspen Ideas Festival, no Colorado, que ele é favorável ao início de aumentos graduais das taxas de juros já em setembro, embora não tenha feito um compromisso explícito com esse cronograma. Ele enfatizou que não defende grandes aumentos, mas sim uma ação antecipada e gradual. Essa posição contrasta fortemente com a da maioria dos membros do Federal Open Market Committee (FOMC) na semana passada, tornando as expectativas para a política de setembro e outubro mais incertas para o mercado.
Kashkari foi um dos três membros dissidentes na reunião do FOMC da semana passada; todos defenderam um aumento de 25 pontos-base, mas os outros nove membros votaram pela manutenção da taxa de referência entre 3,5% e 3,75%. Esta também foi a primeira vez durante a presidência de Kevin Warsh que houve votos contrários dentro do Federal Reserve.
Resiliência econômica faz Kashkari questionar o nível restritivo da política atual
A posição de Kashkari a favor do aumento das taxas de juros baseia-se na sua avaliação do cenário econômico atual.
Ele apontou que os lucros das empresas estão sólidos, assim como o consumo e o mercado de trabalho. Diante disso, ele não vê evidências claras de que a política monetária esteja atualmente num nível restritivo.
“Os resultados das empresas são muito expressivos, os consumidores estão resilientes e o mercado de trabalho está resistente. Ao observar esses fatores, me pergunto: qual a evidência de que a política monetária é atualmente especialmente restritiva?”, disse ele.
Ele acrescentou ainda que a economia dos Estados Unidos enfrenta uma série de choques de oferta, que continuam a pressionar os consumidores, e que a inflação ainda está longe da meta de 2% do Federal Reserve. Para ele, é melhor agir preventivamente de forma gradual do que ser forçado a elevações agressivas apenas quando a inflação estiver profundamente enraizada.
Divergências claras dentro do Comitê, Paulson adota posição oposta
No dia anterior à declaração de Kashkari, a presidente do Federal Reserve da Filadélfia, Anna Paulson, que também tem direito a voto no FOMC deste ano, expressou uma opinião completamente diferente.
Segundo a CNBC, Paulson acredita que as evidências atuais mostram que o nível das taxas de juros já impõe uma "restrição moderada" às condições econômicas, apoiando a decisão de manter as taxas inalteradas enquanto continuam a avaliar os dados. Ela ainda afirmou que, na reunião da semana passada, votar pela manutenção das taxas não foi “uma decisão difícil” para ela.
A discordância pública entre os dois membros reflete as tensões internas do FOMC em relação às perspectivas para a inflação e ao ritmo de ajuste das políticas. Kashkari comentou que ainda não está certo sobre qual decisão será tomada na reunião de 15 e 16 de setembro, ressaltando que os dados divulgados até lá serão cruciais. Atualmente, o mercado precifica uma ligeira inclinação para um aumento em setembro e uma probabilidade ainda maior para outubro.
Presidente Warsh não exerce pressão; estratégia de comunicação segue indefinida
Apesar de Warsh já ter manifestado preferência por taxas de juros baixas no passado, Kashkari afirmou que o presidente não exerceu nenhuma pressão sobre ele.
“Ele me disse: ‘Faça o que achar correto para a economia.’ Eu respondi: ‘Agradeço muito por isso’”, relatou Kashkari.
Os três votos contrários são a primeira dissidência durante a gestão de Warsh, atraindo ampla atenção. Kashkari também destacou que o Comitê terá que decidir sobre a melhor estratégia de comunicação, mas não revelou mais detalhes. Isso sugere que as discussões internas sobre como transmitir os sinais de política ao mercado seguem em andamento no Federal Reserve.
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