Uma greve de dois dias será realizada nas operações da BHP em Port Hedland, Austrália Ocidental, neste fim de semana, apesar do progresso nas negociações desta terça-feira entre os sindicatos e a mineradora global, disse um porta-voz do sindicato.
A BHP embarca cerca de 80 milhões de dólares em minério de ferro diariamente através de Port Hedland, que é o maior centro de exportação de minério de ferro do mundo.
Conforme anunciado na semana passada, os trabalhadores planejam impor uma proibição de 24 horas no carregamento de navios no sábado, 8 de agosto, seguida de uma paralisação de 24 horas no Terminal de Exportação a Granel de Port Hedland com início às 05h30 AWST de 9 de agosto (21h30 GMT de 8 de agosto).
A ação deverá atrasar 16 remessas de minério de ferro ao longo dos dois dias, de acordo com o porta-voz do sindicato. A BHP, terceira maior produtora de minério de ferro do mundo, afirmou que tem planos para garantir a continuidade das operações.
Cerca de 150 trabalhadores devem participar da ação, enquanto as partes buscam chegar a um acordo coletivo de quatro anos.
“A reunião foi produtiva e, embora questões substantivas ainda precisem ser resolvidas, as partes identificaram um caminho a seguir que iremos perseguir nas próximas semanas”, disse um porta-voz do Combined Ports Unions em comunicado.
A paralisação industrial ainda será realizada conforme indicado anteriormente, afirmaram os sindicatos.
A ação não deve afetar as mineradoras rivais Fortescue e Hancock Prospecting, que também utilizam Port Hedland. O centro foi responsável por 75% do total das exportações de minério de ferro da região de Pilbara até junho.
A BHP informou que apresentará uma proposta atualizada na próxima reunião em 18 de agosto, no mesmo dia em que divulgará seus resultados anuais.
O órgão regulador trabalhista australiano, a Fair Work Commission, está colaborando com a BHP e os sindicatos para alcançar um acordo.
“Com outra reunião agendada e uma proposta atualizada a caminho, fizemos avanços significativos com o auxílio da Comissão e não há necessidade de os sindicatos continuarem com a ação industrial planejada”, afirmou.
A BHP está negociando há mais de sete meses com sindicatos que representam cerca de 450 operadores e trabalhadores de manutenção por um novo acordo salarial.
Os sindicatos afirmam que os trabalhadores buscam garantias executáveis de salário e condições. Os trabalhadores argumentam que o calor extremo, longas jornadas e o tempo longe da família justificam não receberem salários inferiores aos dos trabalhadores das cidades.
O impasse ocorre em meio à alta do custo de vida e ao preço recorde das ações da BHP, a maior mineradora listada em bolsa do mundo e a maior empresa listada da Austrália.
(Por Sneha Kumar, Rajasik Mukherjee e Melanie Burton em Melbourne; Edição de Tom Hogue e Sonali Paul)


