
XAUUSD: Recompras do Tesouro, e não ETFs, impulsionam a alta do ouro

📊 O cenário
O ouro atingiu a máxima de três meses em US$ 4.677 na segunda-feira, com alta de 1,6% no dia e mais de 5% na semana. A manchete que todos estão divulgando: os ETFs lastreados em ouro atraíram US$ 6,4 bilhões na semana passada — 46,7 toneladas, a maior entrada semanal em 10 meses. Mas isso é o sintoma, não a causa.
🌍 Por que agora
Em 19 de agosto, o Secretário do Tesouro, Scott Bessent, anunciou discretamente que o Tesouro mais do que dobraria suas operações de recompra de títulos — de US$ 2 bilhões para pelo menos US$ 4 bilhões por operação —, visando o segmento de vencimento de 10 a 30 anos, onde uma greve de compradores havia empurrado o rendimento de 30 anos para o nível mais alto desde 2007. Esse é o motor estrutural por trás de rendimentos mais brandos na ponta longa e de um dólar mais fraco. O ouro rompeu acima de sua MM de 200 dias na semana passada, confirmando a mudança técnica. Esta semana traz dois catalisadores que podem acelerar ou interromper o movimento: o núcleo do PCE na quarta-feira e o discurso de estreia do presidente do Fed, Kevin Warsh, em Jackson Hole na sexta-feira.
📈 Tese central
Minha leitura: o programa de recompra dobrado do Tesouro é efetivamente uma flexibilização quantitativa (QE) furtiva. Ao absorver a oferta na ponta longa após um leilão fracassado, ele suprime os rendimentos e pressiona o dólar — ambos ventos a favor diretos para o ouro. A entrada de US$ 6,4 bilhões em ETFs confirma o posicionamento institucional, mas as instituições estão reagindo ao mesmo motor estrutural, não o criando.
O padrão mais profundo: quando um governo precisa da postura de seu próprio banco central para ajudar a gerenciar os custos de empréstimos, esse é o cenário estrutural que faz com que o ouro — uma reserva de valor fora do sistema monetário — valha a pena ser mantido, e não apenas para fazer trading. O economista-chefe da RSM argumentou que as recompras minam o controle da inflação pelo Fed; o JPMorgan alertou que a intervenção "oculta desafios estruturais subjacentes". A tensão entre o Tesouro e o Fed agora é explícita.
Tecnicamente, o ouro ultrapassou a MM de 200 dias e está testando a zona de US$ 4.680 – US$ 4.700 — as máximas de 14 de maio. Um rompimento sustentado abre o caminho para US$ 4.775, onde a linha de máximas mais baixas da tendência de baixa de 2026 também converge. Os fluxos de ETF estão a caminho de uma sétima semana consecutiva de entradas líquidas (World Gold Council), e as compras dos bancos centrais se recuperaram fortemente no segundo trimestre.
⚠️ Visão de risco
Aqui está o que pode dar errado. Se o núcleo do PCE de quarta-feira acelerar além dos 0,2% esperados na comparação mensal, ou se Warsh entregar uma surpresa "hawkish" — ênfase renovada no compromisso de inflação de 2%, validação dos três "hawks" dissidentes do FOMC —, essa alta impulsionada pelo fluxo pode se reverter rapidamente. Estratégias sistemáticas tendem a cortar a exposição em níveis de preços específicos quando as expectativas de taxas mudam, o que significa que a volatilidade pode disparar mesmo se a história maior da inflação mal mudar. O primeiro suporte fica em US$ 4.600, depois a MM de 200 dias e a zona de rompimento.
🎯 Níveis principais
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Resistência: US$ 4.680 – US$ 4.700 (máximas de 14 de maio) → alvo de rompimento em US$ 4.775
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Suporte: US$ 4.600, depois a MM de 200 dias / zona de rompimento
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Viés: De Alta enquanto o preço se mantiver acima de US$ 4.600 e da MM de 200 dias
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Acionar: Warsh brando + PCE fraco → rompimento de US$ 4.700
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Invalidação: PCE quente ou Warsh "hawkish" → recuo para a MM de 200 dias
Esta análise é apenas para fins educacionais e não constitui aconselhamento financeiro.
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- ⚠️ Visão de risco
- 🎯 Níveis principais


